|

VERSÃO EM PDF
CINZAS
1º
DOMINGO
2º
DOMINGO
3º
DOMINGO
4º
DOMINGO
5º
DOMING0
RAMOS
QUNTA-FEIRA SANTA
SEXTA-FEIRA SANTA
SÁBADO SANTO
|
|
|
|
QUARESMA:
CAMINHO PARA A VIDA |
|

QUARTA-FEIRA DE CINZAS
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA
SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA
TERCEIRO DOMINGO
DA QUARESMA
QUARTO DOMINGO DA
QUARESMA
QUINTO DOMINGO DA
QUARESMA
DOMINGO DE RAMOS
QUINTA-FEIRA SANTA
SEXTA-FEIRA SANTA
SÁBADO SANTO
|
As leituras do ano A (principalmente os
3º, 4º, 5º domingos) recolhem a tradição
antiga que acompanha o catecúmeno na
iniciação cristã - Baptismo, Eucaristia
e Confirmação – Por estas leituras, o
catecúmeno eleito é levado a recapitular
o seu caminho: como chegou ao encontro
com Jesus e à fé n’Ele.(cf. Iniciação
Cristã dos Adultos -ICA nº 159). Os
cristãos nascem da Morte e Ressurreição
de Jesus Cristo, por isso não é de
estranhar que toda a liturgia da
Quaresma e Páscoa tenha sempre presente
os catecúmenos eleitos e os neófitos.
Primeiro domingo: domingo da tentação.
Trata-se de uma introdução geral a este
tempo quaresmal, em vista a preparar
para a luta que espera o homem nas suas
opções definitivas. Neste domingo, a
Igreja, depois de escutar o testemunho
dos padrinhos e catequistas, dos párocos
e da comunidade (ICA, 137) celebra a
eleição dos admitidos aos sacramentos
pascais. De notar que esta admissão
supõe a caminhada fiel de vários anos de
preparação. A eleição é um tempo de
iluminação (Palavra de Deus) e
purificação (conversão), acompanhado
pela oração da comunidade sobre os
eleitos (escrutínios), e pela entrega
dos símbolos e tradições (Credo, Pai
Nosso, Bíblia…). Iluminados pelos
Evangelhos: da Samaritana, do cego de
nascença e de Lázaro morto, os
catecúmenos eleitos procuram rever o que
foi o seu caminho para encontrar e
acreditar em Jesus: Água viva, Luz do
mundo, Vida eterna. De notar que todos
esses evangelhos têm umapalavra-chave:
“Tu crês? Eu creio!”. E é essa pergunta
que o catecúmeno eleito vai ouvir e
responder no momento antes do baptismo.
Segundo domingo: domingo de Abraão e da
transfiguração. O baptismo é o
sacramento da fé e da filiação divina.
Como Abraão, pai dos crentes, também o
catecúmeno deve partir, sair da sua
terra (1ª leitura); entrevê-se a meta na
transfiguração de Cristo (Evangelho); o
baptizado também será chamado “filho de
Deus”.
Terceiro domingo: domingo da Samaritana.
Como Israel ao longo do Êxodo, também o
catecúmeno busca a água que o salve (1ª
leitura). Jesus indica-lhe, como à
samaritana, que tem uma água viva capaz
de extinguir toda a sede e torna-se
fonte de água jorrando para a vida
eterna. (Evangelho). Esta água é o seu
próprio Espírito (segunda leitura). Como
já tinha anunciado João Baptista, Jesus
é aquele que baptiza na água e no
Espírito Santo. A Igreja neste domingo
celebra o 1º escrutínio. Durante a
semana tem lugar a entrega do símbolo (o
Credo).
Quinto domingo: domingo de Lázaro. No
baptismo o homem passa da morte à vida
(evangelho e 1ª leitura) e chega a ser
capaz de agradar a Deus vivendo do
Espírito do ressuscitado (2ª leitura).
Celebra-se o terceiro escrutínio e
durante a semana entrega-se como
tradição aos catecúmenos a oração do
Senhor (o Pai-nosso).
Com certa frequência fazemos da Quaresma
um tempo frio, austero e sem alegria,
esquecendo, que uma espiritualidade que
se fixe apenas na Sexta-feira Santa,
corre o perigo de atrofiar a alegria do
Domingo de Páscoa.
Estes textos pretendem ser uma ajuda
para viver o tempo de Quaresma como
prova máxima do amor de Deus,
manifestado em Cristo na cruz. É esta
experiência que motiva a autêntica
conversão e a coragem para entrar no
mesmo caminho de Jesus: entregar a vida
por amor e fé.
Início
|
|
QUARTA-FEIRA DE CINZAS |
|
Ambientação
A bênção e a imposição das cinzas são
uma prática penitencial muito antiga.
Nos primeiros séculos da Igreja os
cristãos que haviam prejudicado a
comunidade cristã com escândalos
públicos, expiavam-nos durante a
Quaresma. No começo deste tempo
litúrgico recebiam as cinzas sobre as
suas cabeças em sinal de humildade, e, a
seguir, eram acompanhados à porta da
Igreja. Até 5ª Feira-Santa não
participavam nas assembleias da
comunidade, mas permaneciam no átrio em
sinal de penitência.
Hoje, em que tudo se permite e tudo se
procura contestar, não só se está a
perder a consciência do pecado como
também a própria realidade dramática do
pecado. Ao ouvirmos a palavra de Deus
“lembra-te que és pó” (terra) é hora de
defendermos a Terra que está a ser
destruída pela ganância do lucro.
Na Quaresma orientemo-nos pela conversão
– escutar Deus, e pela solidariedade –
ajudar os necessitados. Jejum, hoje, é
renunciar para mais partilhar.
A Palavra de hoje:
Joel 2, 12-18
Coríntios 5, 20-6, 2
Mateus 6, 1-6. 16-18
Meditação: Joel 2, 12-18
A mensagem do profeta Joel foi
pronunciada provavelmente depois do
desterro, no templo de Jerusalém. Uma
praga de gafanhotos devastou os campos,
provocando carestia de bens e fome (1, 2
– 2, 10). Como consequência, cessou o
culto dos sacrifícios no templo (1,
13-16). O profeta lê os sinais dos
tempos e por isso anuncia a proximidade
do dia do Senhor, convidando todo o povo
ao jejum, à oração, à penitência (2,
12.15.-17a).
A palavra-chave deste texto, repetida
três vezes nos primeiros versículos é
voltar (shûb em Hebraico) verbo clássico
da conversão. O v. 12 apresenta ao povo
o convite, à conversão. Sem a renovação
interior e a mudança do coração os ritos
litúrgicos não agradam a Deus. No v. 13,
o convite à conversão aparece de novo e
a motivação é porque o Senhor é sempre
misericordioso. No v. 14 o mesmo verbo
se refere a Deus abrindo uma porta à
esperança: “perdoará uma vez mais”. A
conversão expressa-se num amor sincero a
Deus, numa fé mais sólida, e numa
esperança que se faz oração comunitária
e penitente. Tendo estas disposições, o
profeta e os sacerdotes poderão pedir ao
Senhor que se mostre zeloso com a sua
terra, compassivo com a sua herança
(vv.17s).
Meditação - Mateus 6, 1-6.16-18
Tende cuidado que a vossa justiça não
seja como a dos fariseus (v.1). Jesus
pede aos seus discípulos uma justiça
superior à dos escribas e fariseus (cf.
Mt 5, 20). Mesmo que as práticas
exteriores sejam as mesmas, Jesus
reclama a vigilância sobre as intenções
que nos movem a actuar.
O evangelho repete primeiro as três
obras típicas da piedade judaica: a
esmola (6, 2-4); a oração (6, 5-15) e o
jejum (6, 16-18). A novidade de Jesus é
esta: essas obras não valem de nada se
forem feitas para vanglória e a própria
recompensa. O valor delas consiste em
fazê-las diante do Pai que vê no
segredo. Jesus completa a tradição
ensinando-nos o Pai-nosso e ressaltando
como é indispensável o perdão …”mas se
não perdoardes aos homens também o vosso
Pai não perdoará os vossos delitos” (Mt
6, 15).
Penitência e arrependimento não são
sinónimos de abatimento, tristeza ou
frustração; pelo contrário, constituem
uma modalidade de abertura à luz que
pode dissipar as obscuridades
interiores, tornar-nos conscientes de
nós mesmos na verdade e fazer-nos
experimentar a misericórdia de Deus.
Quem vive na presença de Deus, é livre.
Aquele que nos envolve com amor total
liberta-nos do nosso mal e reveste-nos
de uma inocência nova.
O Senhor tinha confiado ao profeta a
missão de convocar o povo para suscitar
uma nova esperança através de um caminho
penitencial; aos apóstolos confia-lhes o
ministério da reconciliação; à Igreja
hoje, encarrega-a de proclamar que agora
é o tempo favorável, agora é o dia da
salvação!
Renovados pelo amor aprenderemos a viver
sob o olhar do Pai, contentes de poder
cumprir humildemente o que lhe agrada e
ajudar os nossos irmãos. A sua presença
no segredo do nosso coração será a
verdadeira alegria, a única recompensa
esperada e de que temos já um antegosto.
Perguntas para reflexão
- Que significado tem para nós, hoje, o
jejum, a oração, a esmola?
- Com que atitudes devemos iniciar e
viver o tempo da Quaresma?
A Palavra converte-se em oração
Meu Pai, Tu que vês no escondido,
sabes como fujo do mais íntimo de mim
mesmo
e como busco a admiração dos homens.
Ó pobre recompensa do orgulho do meu
“eu”
que representa o seu papel na comédia
humana!
Muito distinto, muito mais
desconcertante
é o mistério da tua piedade,
mas como ainda o ignoro,
vou vagueando longe de Ti.
Faz-me voltar, te suplico,
à profundidade do meu ser onde tu moras.
Na luz nova do arrependimento
exultarei de alegria na tua presença.
Pai nosso, que estás nos céus,
tu conheces o mal do mundo
e como eu para ele, cada dia,
contribuo com o meu egoísmo
e desobediência à tua Palavra.
Ajuda-me hoje a acolher o dia da
salvação;
concede-me agora a graça de olhar para o
teu Filho,
tratado como pecador e crucificado por
nós, por mim.
Reconciliado por Ele, Amor infinito,
viverei no amor humilde
que não busca outra recompensa além de
Ti.
Início
|
|
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA |
|
Ambientação
No primeiro Domingo da Quaresma lemos o
relato das tentações de Jesus segundo o
Evangelho de S. Mateus, que nos convida
a centrar-nos no que significaram as
tentações na vida de Jesus e o que
significam para nós, seus seguidores.
A Palavra de hoje:
Génesis 2, 7-9; 3,1-7
Romanos 5, 12-19
Mateus 4, 1-11
Meditação - Génesis 2, 7-9; 3,1-7
O plano de Deus e o problema do mal
constituem, em síntese, os temas
propostas pela liturgia neste texto. Da
terra (adamah), da matéria, Deus forma o
homem (adam) e insufla nele a sua
própria respiração e o homem torna-se um
ser vivente. Rodeia-o de bem e de beleza
(v. 9), coloca-o num ambiente preparado
com esmero e confia-lhe uma tarefa, uma
missão: cultivar e guardar o jardim (a
Terra) (v.15). Dá-lhe ampla liberdade
para determinar e transformar a
realidade que o rodeia mediante o
trabalho e a autoridade pessoal (vv.9s).
Decidir o que é bem ou o que é mal não é
da competência do homem. Para discernir
isso deve escutar a Deus. O pecado é
desobediência à voz de Deus.
A árvore do conhecimento do bem e do mal
é a própria consciência onde Deus fala.
Na consciência nós não mandamos,
obedecemos.
O texto bíblico diz-nos que o mal também
vem por uma influência externa que induz
a uma opção errónea.
O termo para indicar a serpente
significa também adivinhação, os cultos
idolátricos e de fertilidade, com o que
o símbolo da serpente tinha muito que
ver e que não deixavam de atrair Israel.
No texto, a serpente trata da ordem de
Deus (não comerás) como se fosse uma
mentira. (v.4ss).
Esta narração está a responder a uma
pergunta fundamental da humanidade: se
Deus é bom e fez tudo bem porque é que
existe tanto mal neste mundo?
O paradoxo está no facto de que, quando
o homem não aceita Deus como o seu
Criador e desobedece, traz o mal ao
mundo e descobre a sua nudez, com outras
palavras, que não é nada, que não tem
nada que não lhe tivesse sido dado.
Meditação - Mateus 4, 1-11
Jesus, proclamado pelo Pai, Filho no
qual tem toda a sua alegria, logo a
seguir ao baptismo é conduzido “pelo
Espírito” ao deserto onde vai ser
tentado pelo diabo.
Jesus, que veio para recapitular toda a
humanidade, deu total adesão à vontade
do Pai. Adão e Eva e o povo de Israel
não o fizeram. Jesus, no episódio das
tentações, é submetido às mesmas
tentações do povo do Êxodo, como indicam
as citações do Deuteronómio com as quais
responde a Satanás (Dt 8, 3; 6, 16; 6,
13). Mas onde Israel falhou, Jesus
vence.
A manha diabólica começa por apresentar
a Jesus as esperanças messiânicas e
pedindo-lhe que demonstre se é verdade
que é Filho de Deus como tinha afirmado
a voz vinda do céu (cf. Mt 3, 17). À
proposta de um messianismo que satisfaça
com facilidade as necessidades materiais
do homem, Jesus responde: “nem só de pão
vive o homem mas de toda a palavra que
sai da boca de Deus”. À imagem de uma
missão milagreira e espectacular que o
diabo lhe propõe, Jesus opõe uma
submissão incondicional aos desígnios de
Deus (vv.5-7). À tentação do êxito segue
finalmente a do domínio – converter-se
em senhor da terra, ceder à idolatria do
poder –, mas o caminho messiânico que
Cristo intuiu no deserto é muito
diferente. Com a autoridade que lhe vem
da sua dedicação plena a Deus, Ele, o
perfeito adorador do Pai, vence as
tentações.
Mateus apresenta-nos Jesus não só como o
verdadeiro Israel, mas também como o
novo Moisés, ao citar o jejum de
quarenta dias e quarenta noites, e ao
mencionar o “monte altíssimo” onde o
diabo lhe mostra todos os reinos da
terra, aludindo a Dt 34, 1-4. Estes
quarenta dias no deserto preparam Jesus
para que assuma a condução do novo povo
de Deus, a quem Ele oferece a nova Lei
no sermão da montanha (cf. Mt 5 – 7).
Perguntas para reflexão
- Quem conduz Jesus ao deserto?
- Recordas outras passagens da Bíblia em
que se fale do deserto? (Podes ler Dt 8,
2-3; Os 2, 16).
- Jesus supera as tentações.
Imediatamente depois, o que é que Ele
anuncia? A que é que convida? (cf. Mt 4,
17-19)
- As tentações de Jesus no deserto
parecem-se às que as nossas comunidades
cristãs têm que enfrentar hoje? Quais
são elas? Como podemos vencê-las
aprendendo de Jesus?
A Palavra converte-se em oração
Rezemos juntos o Salmo 51 (50):
Tem compaixão de mim, ó Deus, pela tua
bondade;
pela tua grande misericórdia, apaga o
meu pecado.
Lava-me de toda a iniquidade;
purifica-me dos meus delitos.
Reconheço as minhas culpas
e tenho sempre diante de mim os meus
pecados.
Contra ti pequei, só contra ti,
fiz o mal diante dos teus olhos;
por isso é justa a tua sentença
e recto o teu julgamento.
Eis que nasci na culpa
e a minha mãe concebeu-me em pecado.
Tu aprecias a verdade no íntimo do ser
e ensinas-me a sabedoria no íntimo da
alma.
Purifica-me com o hissope e ficarei
puro,
lava-me e ficarei mais branco do que a
neve.
Faz-me ouvir palavras de gozo e alegria
e exultem estes ossos que trituraste.
Desvia o teu rosto dos meus pecados
e apaga todas as minhas culpas.
Cria em mim, ó Deus, um coração puro;
renova e dá firmeza ao meu espírito.
Não me afastes da tua presença,
nem me prives do teu santo espírito!
Dá-me de novo a alegria da tua salvação
e sustenta-me com um espírito generoso.
Então ensinarei aos transgressores os
teus caminhos
e os pecadores hão-de voltar para ti.
Ó Deus, meu salvador, livra-me do crime
de sangue,
e a minha língua anunciará a tua
justiça.
Abre, Senhor, os meus lábios,
para que a minha boca possa anunciar o
teu louvor.
Não te comprazes nos sacrifícios
nem te agrada qualquer holocausto que eu
te ofereça.
O sacrifício agradável a Deus é o
espírito contrito;
ó Deus, não desprezes um coração
contrito e arrependido.
Pela tua bondade, trata bem a Sião;
reconstrói os muros de Jerusalém.
Então aceitarás com agrado os
sacrifícios devidos,
os holocaustos e as ofertas;
então serão oferecidos novilhos no teu
altar.
Início
|
|
SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA |
|
Ambientação
No Domingo passado dialogámos sobre os
nossos desertos e as dificuldades que
experimentamos no seguimento pessoal e
comunitário de Jesus. Também não foi
fácil para os primeiros discípulos
entender que o seu Mestre ia a caminho
de Jerusalém e que morreria na cruz.
Neste contexto, Jesus anima-os a
manterem-se fiéis no seu seguimento e
mostra-lhes a luz da transfiguração,
sinal da sua ressurreição.
A PALAVRA DE HOJE:
Génesis 12, 1-4a
Timóteo 1, 8b-10
Mateus 17, 1-9
Meditação - Génesis 12, 1-4a
Depois da aliança que Deus estabeleceu
com Noé, em que Deus jurou fidelidade ao
que criou (cf Gen 9), os homens
continuam inclinados para o mal (cf. Gen
11). Mas Deus continua a buscar a
comunhão com os homens: à dispersão de
Babel segue a vocação de Abraão, chamado
significativamente a romper todo o
vínculo social e clânico para poder
seguir incondicionalmente os caminhos do
Senhor. (Gen 12, 1).
Ao mandato de Deus: “sai da tua terra…”
segue-se uma promessa de bênção super
abundante: em dois versículos aparece
cinco vezes. Tal repetição indica os
três âmbitos da acção de Deus em favor
de Abraão.
O primeiro é a promessa de uma
posteridade humana impossível (Gen 11,
30), acompanhada de um nome imposto por
Deus (como contraposição a Gen 11, 4). O
segundo âmbito, manifestado no v. 3 a,
amplia o horizonte a todos os que
reconheçam e acolham a história de
salvação que Deus inaugura a partir de
Abraão: converter-se-ão em filhos da
promessa. Pelo contrário, quem pretenda
ser obstáculo não conseguirá o seu
intento (cf. Num 22 – 24). No v. 3b o
horizonte universaliza-se: o terceiro
âmbito da acção benéfica de Deus é a
inclusão de todas as raças da terra na
história de salvação.
Em Cristo, a promessa de Deus dilatou-se
a todas as gentes (cf. Gal 3, 15-18) até
à plenitude no Reino de Deus. Ao
mandamento de Deus segue-se a obediência
de Abraão, deixando que Deus disponha de
si e do seu destino. Confiando nele
pôs-se a caminho de outra terra, como
lhe tinha dito o Senhor. Nesta marcha,
não só Israel, mas todos “os filhos da
promessa”, reconhecem o modelo das
sucessivas saídas que o Senhor pedirá
aos seus: o Êxodo, o regresso de
Babilónia; no Novo Testamento o êxodo do
próprio Jesus (morte e ressurreição) e o
consequente seguimento dos discípulos no
caminho de Jesus.
Meditação - Mateus 17, 1-9
No texto de Mateus, a narração da
transfiguração começa com uma indicação
cronológica “seis dias depois”. Esta
cronologia mostra a ligação com o texto
profissão de fé de Pedro, com o primeiro
anúncio da paixão e com a declaração de
que para ser discípulos é necessário
segui-lo pelo caminho da cruz.
No alto do monte, Jesus mostra-lhes o
seu aspecto divino “mudando de aspecto”
v.2. Mateus insiste particularmente na
luz e no fulgor que emanam dele,
evocando a figura do Filho do homem de
Dan 10 e a narração da manifestação de
Javé no cimo do monte Sinai (Ex 34,
29-33)
As contínuas alusões às teofanias do
Antigo Testamento (Ex 19, 16; 24, 3; 1
Re 19, 11) indicam que se está a passar
algo extremamente importante: em Jesus,
a antiga aliança vai transformar-se em
“nova e eterna aliança”. A aparição de
Moisés e Elias testemunha que Jesus é o
cumprimento da Lei e dos profetas; é Ele
que guiará o povo à verdadeira terra
prometida - vida eterna no amor - e à
integridade da fé em Deus.
A intervenção de Pedro (v.4) indica o
contexto litúrgico da festa dos
tabernáculos, a mais alegre e
resplandecente de luzes, que comemorava
o tempo do êxodo, quando Deus baixava ao
meio do seu povo morando também numa
tenda, a tenda do encontro. A nuvem da
presença (skekinah), que agora desce e
envolve os presentes, actualiza e leva à
plenitude a liturgia: como declara a voz
que se ouve do céu. Jesus é o profeta
maior preanunciado pelo próprio Moisés (Dt
18, 15) e é-o por ser o Filho predilecto
de Deus. A ordem é “escutai-O” (v.5)
Face esta manifestação extraordinária de
glória, um grande temor se apodera dos
discípulos. Jesus reanima-os com os seus
gestos e a sua palavra (v.7), como o
Filho do homem da visão de Daniel.
Torna-se mais desconcertante e
incompreensível para os discípulos o que
Jesus já só, lhes diz: “não conteis a
ninguém esta visão até que o Filho do
homem ressuscite dos mortos”.
A liturgia de hoje pede-nos para entrar
pelo caminho estreito e difícil; o
caminho da fé obediente que exigiu a
Abraão umas rupturas concretas e
dirigir-se a metas desconhecidas. É o
caminho da difícil perseverança que
exige a Timóteo vencer o desalento e uma
generosidade renovada do dom de si (2ª
leitura). É o caminho do sofrimento e da
morte que Jesus percorre, plenamente
consciente, preparando os seus
discípulos para que também o afrontem
com fortaleza. Sem dúvida, é o único
caminho que conduz à verdadeira vida, à
glória autêntica, à luz sem ocaso.
Desde já nos é concedido a graça de
antegozar um pouco o esplendor da
transfiguração para prosseguir o caminho
com entusiasmo. A promessa de bênção
divina cobriu de esperança a vida de
Abraão; a força de Deus ajuda Timóteo a
obter a graça de Cristo para difundir o
evangelho com entusiasmo; a visão de
Cristo transfigurado dá lembrança de luz
aos discípulos na hora da ignomínia e da
cruz.
O sofrimento é fiel companheiro no
caminho da vida, mas na prova não
estamos sós: Jesus está a nosso lado com
“varão de dores que conhece bem o que é
sofrer”, como o primeiro que levou o
peso da cruz. Isto basta para
mantermo-nos confiantes que o seu poder
se manifesta plenamente na nossa
debilidade; nos injecta ânimo para
assumir estas opções no caminho até à
Páscoa e para dar testemunho da
ressurreição.
Perguntas para reflexão
- Que relação tem este texto da
transfiguração com a etapa crítica na
vida de Jesus (crise da Galileia!) e da
fé dos discípulos? (cf. Mt 16, 13ss; Mt
14,22-33;Mc 10, 32).
- Tenta descobrir quais foram na tua
vida os momentos de luz, os momentos de
transfiguração. Quando vistes outras
pessoas com quem vives transfiguradas,
bonitas, atraentes?
- Onde encontramos hoje a Cristo
transfigurado, ressuscitado e que nos
transfigura?
- Esta passagem da Transfiguração que
motivos te dá para viveres com alegria e
esperança este tempo da Quaresma? A que
compromisso te leva?
A Palavra converte-se em oração
Senhor Jesus,
que antes da Paixão mostrastes aos teus
discípulos, o teu rosto glorioso,
a fim de que não desfaleçam na hora da
grande prova,
convida-nos também a nós a subir contigo
ao monte.
No meio do silêncio e do recolhimento,
faz que sintamos ressoar no nosso
coração a tua Palavra,
que é luz para os nossos passos e apoio
para enfrentar,
com uma fé sempre renovada,
o caminho quotidiano da vida neste vale
de lágrimas.
Agradecemos-te pelos momentos de luz e
transfiguração
que experimentámos na nossa vida
e nos animam a continuar apesar das
dificuldades.
E, enquanto solícitos,
avançamos na nossa peregrinação terrena
até à casa do Pai,
te pedimos, humildemente,
pelos nossos irmãos mais pobres e
sofredores,
pelos nossos companheiros de viagem
mais duramente provados e tentados pelo
desfalecimento,
que recebam desde já a graça
de verem transfiguradas as suas dores
naquela luz gloriosa
que marca a passagem da cruz à glória da
ressurreição.
Início
|
|
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA |
|
Ambientação
Como Israel ao longo do Êxodo, também o
catecúmeno busca a água que o salve (1ª
leitura). Jesus indica-lhe, como à
samaritana, que tem uma água viva capaz
de extinguir toda a sede e torna-se
fonte de água jorrando para a vida
eterna. (Evangelho). Esta água é o seu
próprio Espírito (segunda leitura). Como
já tinha anunciado João Baptista, Jesus
é aquele que baptiza na água e no
Espírito Santo. A Igreja neste domingo
celebra o 1º escrutínio. Durante a
semana tem lugar a entrega do símbolo (o
Credo).
A Palavra de hoje:
Êxodo 17, 3-7
Romanos 5, 1-2.5-8
João 4, 5-42
Meditação - Êxodo 17, 3-7
No seu caminho para a terra prometida, o
povo sofre repetidamente fome e sede.
Fome e sede são as duas constantes do
caminho pelo deserto, terra de prova e
de purificação, onde só se pode avançar
por meio da fé. O episódio de Massa e
Meriba é emblemático. Em primeiro lugar
os nomes têm um significado eloquente:
Massa (tentação, prova) e Meriba
(murmuração, protesto). Depois do
primeiro trecho do caminho, o povo já se
encontra extenuado pela sede. Qual foi a
sua atitude? Notemos os verbos
“protesta”, “murmura”, “põe à prova”.
Desconfia de Deus e duvida de que Moisés
seja o homem enviado para salvá-lo; daí
a pergunta que manifesta o seu
cepticismo: “está ou não o Senhor no
meio de nós?” (v.7)
Abre-se assim a segunda parte da
narração: Moisés, como intercessor,
invoca a ajuda do Senhor que responde em
seguida, mandando-lhe golpear a rocha
com o mesmo bastão com que tinha
golpeado as águas do Nilo. E isto
evidencia ao povo incrédulo a presença
contínua de Deus, que, na plenitude dos
tempos, se manifestará precisamente como
o Emanuel, o Deus-connosco. Moisés
obedeceu e brotou uma fonte de água. O
episódio parece concluído. Sem dúvida,
este acontecimento, como outros, por
insignificantes que pareçam, terão uma
grande ressonância tanto no povo eleito
(cf Sl 77, 15s; 94,8; 104,41; Sab 11, 4)
como na vida de Moisés. Por causa da
falta de fé do povo e da sua própria
dúvida (Num.20, 12) Moisés morreu sem
entrar na terra prometida,
contemplando-a só de longe (cf. Dt
34,4).
Meditação - João 4, 5-42
O evangelista lê a revelação do mistério
profundo da pessoa de Jesus nas
vicissitudes quotidianas. É meio-dia.
Junto ao poço de Sicar (v. 5; cf Gen
48,22) tem lugar o encontro e o diálogo
insólito (v.8) entre uma mulher
samaritana e um “judeu” (v.9). No seu
diálogo a mulher vai ficando
surpreendida com o comportamento e
palavras de Jesus e vai-lhe fazendo
perguntas sobre quem Ele é. Será ele
“maior que Jacob”? (v. 12), afirma que é
um profeta por que lhe disse tudo o que
ela fez (v.39) e quando diz “eu sei que
o Messias, que é chamado Cristo, está
para vir” Jesus lhe revela: “sou Eu que
estou a falar contigo.” (v.26)
Sucessivamente vão chegando os
discípulos (v. 27-38), finalmente outros
samaritanos conterrâneos da mulher,
trazidos por ela: “Eia! Vinde ver um
homem” (v.29). Estes samaritanos, depois
de encontrarem Jesus e de lhe pedirem
que ficasse com eles, dizem: “Já não é
pelas tuas palavras que acreditamos; nós
próprios ouvimos e sabemos que Ele é
verdadeiramente o Salvador do mundo
(v.40-42).
Quem é, pois, aquele rabi que se atreve
a conversar com uma mulher (v.26), e
ainda por cima, samaritana, quer dizer,
considerada herética (vv.17-24; cf 2 Re
17, 29-32) e pecadora (v. 18)? As
pessoas que vieram ao seu encontro fazem
um processo de fé e acabam por
professar: “Ele é verdadeiramente o
Salvador do mundo (v. 42), o que nos dá
a água viva (v.10), isto é, o Espírito
Santo. Estamos no cume da narração e do
seu conteúdo teológico.
Perguntas para reflexão
- Desta passagem do Evangelho como
podemos rever o nosso próprio processo
de fé: como encontrei a Jesus na minha
vida?
- Que significa para nós que Jesus é a
“água viva”? De que modo Jesus sacia a
nossa sede?
- Neste encontro de Jesus com a
samaritana (samaritanos) que barreiras
existiam e foram ultrapassadas?(Raça,
género, religião)
- Que preocupação temos em trazer
outros a Cristo (v.29) para que eles
próprios também o descubram e se
alegrem? (v.42)
A Palavra converte-se em oração
Salmo 63 (62)
Ó Deus, Tu és o meu Deus! Anseio por ti!
A minha alma tem sede de ti;
todo o meu ser anela por ti,
como terra árida, exausta e sem água.
Quero contemplar-te no santuário,
para ver o teu poder e a tua glória.
O teu amor vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios te hão-de
louvar.
Quero bendizer-te toda a minha vida
e em teu louvor levantar as minhas mãos.
A minha alma será saciada com deliciosos
manjares,
com vozes de júbilo te louvarei.
Lembro-me de ti no meu leito,
penso em ti, se fico acordado,
porque Tu és o meu auxílio,
e à sombra das tuas asas eu exulto.
A minha alma está unida a ti,
a tua mão direita me sustenta.
Os que procuram a minha ruína,
cairão nas profundezas do abismo.
Eles morrerão à espada
e serão transformados em pasto de
chacais.
Mas o rei há-de alegrar-se em Deus,
cantarão louvores os que juram por Ele,
enquanto a boca dos mentirosos será
fechada.
Início
|
|
QUARTO DOMINGO DA QUARESMA |
|
Ambientação
No baptismo o homem assume a sua
condição de viver livre e como irmão,
aceitando viver de Cristo (Evangelho);
deixa-se capacitar para viver como filho
da luz (2ª leitura), e é consagrado com
a unção real (1ª leitura). Neste
domingo, celebra-se o segundo
escrutínio, isto é, oração da comunidade
sobre os eleitos, para iluminação e
purificação.
A Palavra de hoje:
1 Samuel
16, 1b.4a.6-7.10-13a
Efésios 5, 8-14
João 9, 1-41
Meditação
- 1 Samuel 16, 1b.4a.6-7.10-13a
Com a unção de David a realeza passa à
tribo de Judá: cumpre-se assim a
predição de Jacob no seu leito de morte,
vendo o futuro das diversas tribos (cf.
Gen 49, 8-12). Também o ancião Samuel
deve aprender a olhar com os olhos de
Deus. Pois o Senhor “viu” (como indica
literalmente o v.1b) entre os filhos de
Jessé, um rei segundo a sua vontade e
manda o profeta consagrá-lo. Como
conhecer entre os jovens que desfilam
diante dele o eleito de Deus? Samuel
“vê” as qualidades do primogénito
parecidas às de Saul, mas o Senhor
indica outro critério de discernimento:
o “ver” de Deus é distinto do “ver”
humano (v. 7 no original), porque Deus
olha ao coração, não ao exterior.
De acordo
com este olhar divino, Samuel descarta
os filhos mais velhos de Jessé (vv.8-10)
e procede logo, sem duvidar, à unção do
mais novo, sem ter em consideração o seu
pai (v. 12). Sobre este “pequeno” se
pousará de modo estável (v. 13b) o
Espírito do Senhor, esse Espírito que só
de modo ocasional tinha irrompido nos
Juízes e que abandonou definitivamente a
Saul (v.14), repudiado por Deus por
causa da sua orgulhosa desobediência.
Meditação
- João 9, 1-41
A narração do milagre do cego de
nascença alcança todo o seu alcance
teológico no contexto em que aparece: a
festa das Tendas (Jo 7 – 10). Jesus
revela-se a “luz do mundo” (8, 12),
suscitando a consequente polémica com os
fariseus. O milagre acontece nas
imediações do templo. Os discípulos
fazem uma pergunta: Quem pecou? O cego
de nascença nada pede. É Jesus que o
olha e toma a iniciativa de ungir-lhe os
olhos.
O texto
aborda um tema fundamental: a teologia
da retribuição. Se alguém sofre é porque
alguém pecou. Jesus afirma claramente:
“não foi um pecado seu nem de seus
pais”. A cegueira (sofrimento) indica
mais claramente a situação do homem.
Todos somos cegos de nascença. Todos
estamos “enfermos” de uma enfermidade
tão grave que não nos restam forças para
recorrer ao único que pode curar.
A cura, a
salvação é iniciativa de Jesus. A sua
acção faz lembrar o relato da primeira
Criação (cf. Gen. 2, 7; o barro,
aplicado agora aos olhos: v.6). Para que
o homem possa ver a luz, precisa-se de
uma nova criação. Jesus dá uma ordem ao
cego de nascença que, ao contrário de
Adão, obedece. No cego de nascença
vai-se dando um processo de fé. Vejamos
os passos deste caminho para a fé.
1 – No
primeiro encontro com Jesus, o cego de
nascença não sabe quem é Jesus, mas
obedece às suas palavras: “Vai, lava-te
na piscina de Siloé”v.7 (Siloé, quer
dizer enviado). Ir no caminho indicado.
2- Na
surpresa e dúvida dos seus conhecidos,
face à mudança que nele aconteceu, ele
reafirma a sua identidade: “sou eu
mesmo” v.9. e responde às perguntas
sobre quem o curou e diz que foi esse
homem que se chama Jesus. Assumir-se
diante dos vizinhos e conhecidos.
3 - Depois
levaram-no aos fariseus, representantes
da religião, diante dos quais tem que
responder de novo às perguntas: como que
ficastes a ver? Neste momento ele tem a
coragem de contradizer os chefes da
religião e afirma que Jesus vem de Deus
e é um profeta (v.16-17). Assumir-se
diante dos representantes da religião.
4 - No
passo seguinte é a família que tem que
fala e que se nega por medo. Dizem aos
fariseus para perguntarem ao próprio que
já tem idade para responder. Assumir-se
diante da família.
5 -
Expulsam-no da sinagoga. Assumir o
sofrimento por fidelidade
6 - Jesus
ouviu dizer que o tinham expulsado e
quando o encontrou disse-lhe: tu crês no
Filho do homem? Receber a graça do
segundo encontro com Jesus
7 - Ele
respondeu: E quem é Senhor, para eu crer
nele? Disse-lhe Jesus: Já o vistes. È
aquele que está a falar contigo. Então
exclamou. Eu Creio, Senhor! (vv 35-38)
Professar a fé.
Perguntas
para reflexão
- Como era vista a doença no tempo de
Jesus?
- Como vai crescendo na fé o cego de
nascença?
- Olhando para este texto que
dificuldades já enfrentastes para
acreditar em Jesus?
- De que cegueira necessitamos ser
curados para nos tornarmos uma ver
dadeira comunidade de irmãos e irmãs,
filhos e filhas da luz?
A Palavra
torna-se oração
(Oração composta pelo Pe. Arnaldo e
rezada cada 15 minutos por todos os
confrades)
Deus verdade eterna,
Cremos em vós.
Deus, nossa força e salvação,
esperamos em vós.
Deus, bondade infinita
Amamo-vos de todo o coração
Enviastes o Verbo, Salvador do mundo
Fazei que n’Ele sejamos um.
Infundi em nós e Espírito do Filho,
Para que glorifiquemos o Vosso nome.
Ámen.
Início
|
|
QUINTO DOMINGO DA QUARESMA |
|
Ambientação
No baptismo o homem passa da morte à
vida (Evangelho e 1ª leitura) e chega a
ser capaz de agradar a Deus vivendo do
Espírito do ressuscitado (2ª leitura).
Celebra-se o terceiro escrutínio e
durante a semana entrega-se como
tradição aos catecúmenos a oração do
Senhor (o Pai-nosso).
Os
catecúmenos eleitos reúnem todos os
domingos, reflectem sobre os evangelhos,
partilham uns com os outros como foi o
seu caminho pessoal para acreditar em
Jesus e no final da semana santa fazem
um retiro de preparação para a vigila
pascal, durante a qual recebem os
sacramentos de iniciação cristã.
A Palavra
de hoje:
Ezequiel
37, 12-14
Romanos 8, 8-11
João 11, 1-45
Meditação
- Ezequiel 37, 12-14
Na liturgia deste domingo fala-se da
ressurreição num crescendo que vai desde
o presente fragmento do Antigo
Testamento à vitória definitiva de
Cristo sobre a morte. Deus, pela boca de
Ezequiel, anuncia a próxima abertura dos
túmulos.
Trata-se do
regresso dos desterrados. Desde o ano
586 a.c., os hebreus encontravam-se
deportados na Babilónia e outros
lugares, e o desalento apoderou-se dos
seus corações, mas o Senhor vai fazer
que o seu povo, que se sente como um
morto em terra estrangeira, experimente
directamente o seu poder vivificante.
Deus é quem tem poder de cumprir quanto
promete (cf. v.14b). Esse dia será como
uma nova criação. As imagens que
Ezequiel utiliza pré-anunciam a futura
proclamação da salvação integral da
humanidade na ressurreição de Jesus.
Meditação
- João 11, 1-45
O texto da “ressurreição de
Lázaro”prepara directamente os
acontecimentos pascais e explicita um
dos aspectos fundamentais da cristologia
joanina. Num crescendo lento, no relato
passa-se da narração da doença (vv.1-6),
à morte e à sepultura (v.7-37), até à
ressurreição ao quarto dia (vv.38-44).
Nas entrelinhas aparece a humanidade de
Jesus cheio de ternura, que não reprime
as lágrimas nem os soluços (vv.33.35), e
mostra Jesus numa família amiga - Marta,
Maria e Lázaro.
Diante do
maior obstáculo da vida que é a morte, a
pergunta sobre a fé não é colocada a
pessoas desconhecidas, mas a pessoas
amigas e discípulas de Jesus.
Diante da fé na ressurreição no último
dia, já presente nalguns sectores
judaicos e que Marta reafirma, Jesus
declara-se Ele mesmo “EU SOU A
RESSURREIÇÃO E A VIDA” (v.25). e
pergunta-lhe: “Crês nisto?”
O “credo” de Marta é em si igual ao de
Pedro. Sim, Senhor, Tu és o Cristo, o
Filho de Deus que vem ao mundo.
“Eu sou a
ressurreição e a vida” é a palavra mais
reveladora deste texto. Faz lembrar a
revelação do nome “JAVÉ” (Ex. 3,14). O
potente grito com que Jesus chama Lázaro
para fora do sepulcro (v.43) tem a força
do chamamento à vida do primeiro Adão
(cf. Gen 2, 7) e o dramatismo da entrega
do Espírito de Jesus na cruz: “ Jesus
deu um grande grito: “Pai em tuas mãos
entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). E o
Pai, que sempre escuta o grito do
inocente, vai dar a Jesus a Ressurreição
que é a NOVA CRIAÇÃO.
Perguntas
para reflexão
- O que é que te diz este grupo de
amigos de Jesus: Marta, Maria e Lázaro?
- Que tem
isto a ver com o nosso conhecimento de
Jesus e o nosso relacionamento com Ele
como família - Igreja doméstica?
- Qual foi a maior crise de fé para os
discípulos de Jesus?
- Que relação tem este texto a ver com o
nosso baptismo? (cf. Rom 6, 3-5)
- A experiência da morte de um ser
querido ajudou-te a amadurecer na fé em
Jesus? De que modo?
- Como devia influir a nossa fé na
ressurreição, na forma de viver a morte
desde agora e na vida de cada dia?
A Palavra
converte-se em oração
Salmo 116 (114-115)
Amo o Senhor,
porque ouviu a voz do meu lamento.
Ele inclinou para mim os seus ouvidos,
no dia em que o invoquei.
Cercaram-me os laços da morte,
caíram sobre mim as angústias do
sepulcro;
estava aflito e cheio de ansiedade,
mas invoquei o nome do Senhor:
«Ó Senhor, salva-me a vida!»
O Senhor é bondoso e compassivo,
o nosso Deus é misericordioso.
O Senhor guarda os simples;
eu estava sem forças e Ele salvou-me.
Volta, minha alma, ao teu repouso,
porque o Senhor foi bom para contigo.
Ele livrou da morte a minha vida,
das lágrimas, os meus olhos,
da queda, os meus pés.
Andarei na presença do Senhor,
no mundo dos vivos.
Eu tinha confiança, mesmo quando disse:
«A minha aflição é muito grande!»
Na minha
perturbação, eu dizia:
«Todo o homem é mentiroso!»
Como retribuirei ao Senhor
todos os seus benefícios para comigo?
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor.
Cumprirei as minhas promessas feitas ao
Senhor
na presença de todo o seu povo.
É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou teu servo, filho da tua
serva;
quebraste as minhas cadeias.
Hei-de oferecer-te sacrifícios de
louvor,
invocando, Senhor, o teu nome.
Cumprirei as minhas promessas feitas ao
Senhor
na presença de todo o seu povo,
nos átrios da casa do Senhor,
no meio de ti, Jerusalém!
Aleluia!
Início
|
|
DOMINGO DE RAMOS |
|
A Palavra de hoje:
Isaís 50, 4-7
Filipenses 2, 6-11
Mateus 26, 14 – 27, 66
Meditação - Isaís 50, 4-7
A fidelidade a Deus e aos homens – à
missão recebida em seu favor – faz que o
Servo de Javé permaneça firme no
sofrimento, na ignomínia, no aparente
fracasso. Atento discípulo da Palavra de
Deus, profeta e mestre de sabedoria com
o povo, com a sua sorte prefigura a de
Cristo, o humilde que não opôs
resistência à vontade do Pai nem se
subtraiu à maldade dos homens, seguro –
até à hora suprema do abandono na cruz –
de que o desígnio de Deus é dom de
salvação que se oferece a todos (v.7;
cf. Mc 15, 34 e Lc 23, 43.46).
Meditação - Mateus 26, 14 – 27, 66
A paixão de Jesus é paradoxalmente – na
narração de Mateus – a paixão do Filho
do homem, do Senhor da glória, do Juiz
universal. Ele é o Deus-connosco, e
salva-nos pelo caminho do Servo
sofredor, sendo crucificado “como
cordeiro conduzido ao matadouro”. Aí nos
deu a prova máxima do plano de Deus que
é amor. Aquele que podia ter recorrido a
mais de doze legiões de anjos para
livrar-se das mãos dos homens, deixa-se
capturar sem resistência (26, 50b-54);
cala-se diante dos “grandes” sem
utilizar manifestações sobrenaturais
(27, 14.19); reza três vezes
humildemente ao Pai, (v.39.42.44), sofre
a solidão (v.40) e partilha com os
discípulos a sua tristeza de morte
(v.38) e a sua debilidade da sua carne
(26, 41b).
A sua morte na cruz rubrica a passagem
para uma condição totalmente nova: o fim
de um culto de sacrifícios, “o véu do
templo rasgou-se”, (v.51) e a nova
criação: a terra tremeu… e abriram-se os
túmulos (v.51-52) e a plena manifestação
de que o Crucificado é o Filho de Deus:
o centurião e os que guardavam Jesus,
muito amedrontados, disseram: de facto,
este era o filho de Deus (v.54).
De acordo com a perspectiva do seu
evangelho, Mateus, mais que os outros
evangelistas, insiste no cumprimento das
Escrituras – explicitamente ou por meio
de citações – para indicar que a paixão
faz parte do plano salvífico de Deus.
O absurdo da humanidade, encarnada no
povo eleito, é que toda a vida se espera
a salvação e na hora em que ela aparece,
mata-a: Vós acusastes o Santo e o Justo
e exigistes que fosse agraciado para vós
um assassino, enquanto fazíeis morrer o
príncipe da vida (Act 3, 14-15).
Perguntas para reflexão
No relato da Paixão segundo Mateus
aparecem várias personagens secundárias:
- Qual é a atitude frente a Jesus da
mulher de Betânia, de Pilatos e da sua
mulher, dos soldados ao pé da cruz, de
Simão de Cirene, das mulheres que seguem
Jesus desde a Galileia, de José de
Arimateia?
- Qual é a atitude dos discípulos?
-
Como entendes a multidão que tão
depressa o aclama como pede a sua morte?
-
Como reagimos quando vemos alguém a
sofrer injustamente?
-
Estamos conscientes de que a Paixão de
Cristo continua em todos aqueles que
sofrem injustamente?
A Palavra converte-se em oração
Rezar Salmo 22 (21)
Meu Deus, meu Deus, porque me
abandonaste,
rejeitando o meu lamento, o meu grito de
socorro?
Meu Deus, clamo por ti durante o dia e
não me respondes;
durante a noite, e não tenho sossego.
Tu, porém, és o Santo
e habitas na glória de Israel.
Em ti confiaram os nossos pais;
confiaram e Tu os libertaste.
A ti clamaram e foram salvos;
confiaram em ti e não foram confundidos.
Eu, porém, sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da
plebe.
Todos os que me vêem escarnecem de mim;
estendem os lábios e abanam a cabeça.
«Confiou no Senhor, Ele que o livre;
Ele que o salve, já que é seu amigo.»
Na verdade, Tu me tiraste do seio
materno;
puseste-me em segurança ao peito de
minha mãe.
Pertenço-te desde o ventre materno;
desde o seio de minha mãe, Tu és o meu
Deus.
Não te afastes de mim, porque estou
atribulado
e não há quem me ajude.
Rodeiam-me touros em manada;
cercam-me touros ferozes de Basan.
Abrem contra mim as suas fauces,
como leão que despedaça e ruge.
Fui derramado como água;
e todos os meus ossos se desconjuntaram;
o meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.
A minha garganta secou-se como barro
cozido
e a minha língua pegou-se-me ao céu da
boca;
reduziste-me ao pó da sepultura.
Estou rodeado por matilhas de cães,
envolvido por um bando de malfeitores;
trespassaram as minhas mãos e os meus
pés:
posso contar todos os meus ossos.
Eles olham para mim cheios de espanto!
Repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam a minha túnica.
Mas Tu, Senhor, não te afastes de mim!
És o meu auxílio: vem socorrer-me
depressa!
Livra a minha alma da espada,
e, das garras dos cães, a minha vida.
Salva-me da boca dos leões;
livra-me dos chifres dos búfalos.
Então anunciarei o teu nome aos meus
irmãos
e te louvarei no meio da assembleia.
Vós, que temeis o Senhor, louvai-o!
Glorificai-o, descendentes de Jacob!
Reverenciai-o, descendentes de Israel!
Pois Ele não desprezou nem desdenhou a
aflição do pobre,
nem desviou dele a sua face;
mas ouviu-o, quando lhe pediu socorro.
De ti vem o meu louvor na grande
assembleia;
cumprirei os meus votos na presença dos
teus fiéis.
Os pobres comerão e serão saciados;
louvarão o Senhor, os que o procuram.
«Vivam para sempre os vossos corações.»
Hão-de lembrar-se do Senhor e voltar-se
para Ele
todos os confins da terra;
hão-de prostrar-se diante dele
todos os povos e nações,
porque ao Senhor pertence a realeza.
Ele domina sobre todas as nações.
Diante dele hão-de prostrar-se todos os
grandes da terra;
diante dele hão-de inclinar-se todos os
que descem ao pó
e assim deixam de viver.
Uma nova geração o servirá
e narrará aos vindouros as maravilhas do
Senhor;
ao povo que vai nascer dará a conhecer a
sua justiça,
contará o que Ele fez.
ou
Ó Pai, Deus de misericórdia e de perdão,
olha com piedade os teus filhos culpados
de terem pregado numa cruz o teu amado
Filho.
Pelo seu sangue derramado na solidão do
abandono, lava todas as nossas culpas e
rompe a dureza dos nossos corações, para
que, purificados pelas lágrimas do
arrependimento, acolhamos o dom da tua
infinita compaixão, que é o único que
nos pode tornar de novo inocentes.
Início
|
|
QUINTA-FEIRA SANTA |
|
Com a Quinta-Feira Santa começa o Tríduo
Pascal que é o auge de toda a liturgia
cristã. Este dia começa com a missa
crismal da parte da manhã, presidida
pelo bispo e concelebrada pelos
sacerdotes que neste dia renovam as suas
promessas sacerdotais. O Bispo benze os
santos óleos: dos enfermos, dos
catecúmenos e do crisma.
À noite celebra-se a Ceia do Senhor, que
é a instituição da Eucaristia (e do
sacerdócio) e do mandamento do amor
tornado visível no lava-pés.
A missão pública de Jesus começa com o
Baptismo e termina com a Eucaristia,
(sabendo que a seguir vai ser preso e
morto). A Eucaristia é a última acção de
Jesus com os seus discípulos. Nela,
Jesus retoma toda a sua vida e faz dela
o sacramento da presença, entrega total
de amor.
A Palavra de hoje:
Êxodo 12, 1-8.11-14
1 Coríntios 11, 23-26
João 13, 1-15
Meditação - Êxodo 12, 1-8.11-14
A festa da Páscoa e a dos ázimos eram
duas festas muito antigas que existiam
antes do Êxodo.
A festa anual dos pastores nómadas
tornou-se o memorial de um acontecimento
histórico onde Israel reconheceu um acto
salvífico de Deus, fazendo-o passar da
escravidão à liberdade, da morte à vida.
O sangue do cordeiro aspergido nas
portas dos judeus era o sinal para a
morte não entrar nas suas casas quando
passou matando todos os primogénitos no
Egipto.
A festa anual dos pães ázimos, pode ter
tido como origem uma festa rural que se
celebrava no início da colheita dos
cereais. Era um ritual de renovação, de
recomeço. Ao adoptar esta festa, depois
da sua entrada em Canaã, Israel deu-lhe
um novo significado, relacionando-a com
a saída do Egipto.
A esperança que a Páscoa israelita
alimentava foi realizada em Jesus
Cristo, nossa Páscoa (1 Cor 5, 7) que
realizou o Êxodo, (passagem) da morte à
vida.
Evangelho: João 13, 1-15
“Amou-os até ao fim”: João, como os
Sinópticos, quer evidenciar na narrativa
da última ceia, a total entrega de amor
por parte de Jesus. Na entrega do pão e
do vinho, vê toda a sua vida para trás e
para a frente e faz dela (sua vida) o
sacramento da sua presença real.
O “fazei isto em minha memória” dos
Sinópticos significa em João “amai-vos
como Eu vos amei”, “lavai os pés uns aos
outros”; portanto, não é questão de um
ritual, até não se fala do cordeiro na
ceia, fala-se de pão e vinho. É entrega
da própria vida como Jesus: “… entregue
por vós, …derramado por vós”. Na palavra
“entregue por vós”, os quatro
evangelistas se juntam no mesmo sentido
que tem a Eucaristia.
A tarefa de lavar os pés era trabalho de
escravos e inclusive um rabi não podia
exigi-lo a um escravo hebreu. Jesus
pede-nos a nós esta mesma humildade,
este espírito de serviço recíproco que
só se pode inspirar no amor (vv.12-15).
Acolher o escândalo da humilhação do
Filho de Deus, que lava pés e é
crucificado; deixar-nos purificar pela
sua caridade (v.8) leva-nos ao mesmo
dinamismo da oblação divina, seguindo o
exemplo de Cristo (v.13-15).
Esta é a condição indispensável para
participar no seu memorial, para
celebrar a Páscoa com Ele.
Perguntas para reflexão
- Como reagem os discípulos ao lava-pés
que Jesus faz?
- Como reage Jesus face à resposta
negativa de Pedro? Que diz a Pedro e por
quê?
- Que sentido dá Jesus a este gesto do
lava-pés? Que quer mostrar com ele?
- Como vês o lava-pés relacionado com a
Eucaristia?
- Que serviços realiza a nossa
comunidade cristã? Qual é o teu
“lava-pés” (serviço) na comunidade
cristã e na sociedade?
- Por que encontramos tantas
dificuldades e resistências à hora de
nos pormos ao serviço dos outros?
- Podemos partilhar alguma experiência
em que nos sentimos felizes por servir
outras pessoas, a começar na própria
família?
A Palavra converte-se em oração
Salmo 133 (132)
Vede como é bom e agradável
que os irmãos vivam unidos!
É como óleo perfumado derramado sobre a
cabeça,
a escorrer pela barba, a barba de Aarão,
a escorrer até à orla das suas vestes.
É como o orvalho do monte Hermon,
que escorre sobre as montanhas de Sião.
É ali que o Senhor dá a sua bênção,
a vida para sempre.
Início
|
|
SEXTA-FEIRA SANTA |
|
Neste dia não há Eucaristia. Celebra-se
a Paixão do Senhor, que não pode ser
entendida isoladamente, mas na
totalidade do tríduo pascal: paixão,
morte e ressurreição. A figura do Servo
Sofredor ajuda-nos a compreender este
mistério do Crucificado.
Esta celebração consta de quatro partes:
a liturgia da Palavra; oração Universal;
adoração da cruz e Comunhão.
A Palavra de hoje:
Isaías 52, 13 – 53, 12
Hebreus 4, 14-16; 5, 7-9
João 18, 1 – 19, 42
Meditação - Isaías 52, 13 – 53, 12
Este texto é o quarto cântico do Servo.
Isaías apresenta-nos quatro cânticos: (Is
42, 1-4; 49,1-6; 50,4-11; 52,13 –
53,12). A figura do servo que aparece no
tempo do Exílio pode fazer pensar num
profeta, no povo de Israel sofredor no
exílio mas o Novo Testamento com o
Cristo da Paixão.
Servo, Filho, Cordeiro são termos afins.
Vejamos o processo do Servo.
1 – Desanimado no Exílio, pensando que
Deus o abandonou, descobre que, mesmo
aí, Deus o ama.: “Eis o meu Servo, meu
eleito em quem tenho prazer” (1º cântico
do Servo).
2 – Amado por Deus, recebe uma missão: a
prática da justiça, aliança do povo e
luz das nações (2º cântico).
3 – No cumprimento da missão, o servo
parece que passa por uma tentação:
anunciar e salvar os outros, mas como
quem está em situação superior e se for
rejeitado Deus vai punir os adversários
(3º cântico e versículos seguintes).
4 – No exercício da missão, o servo dá
um passo decisivo: aceitar sofrer
inocente e njustamente, indo o caminho
como um cordeiro conduzido ao matadouro
(53,7).
O Servo sofredor inocente mostra que
acontece uma injustiça, um absurdo. O
servo salva, porque não responde pelo
mesmo caminho do opressor. Pode salvar
mesmo o opressor que, ao ver o mal
causado ao inocente, pode-se arrepender
e encontrar a salvação. O sofrimento
inocente e por amor salva. (Is 53, 5:
esmagado pelas nossas iniquidades…por
suas feridas fomos curados).
Hoje na sociedade é o pobre, o pequeno
que carrega com os males da sociedade. A
grande notícia é que esse sofrimento não
é inútil; tem missão salvadora.
Meditação - João 18, 1 – 19, 42
A Igreja celebra a paixão do Senhor com
a segurança de que a cruz de Cristo não
é a vitória das trevas, mas a morte da
morte. Esta visão de fé, aparece de modo
particular em João. Jesus é apresentado
como rei que conhece a situação,
domina-a e apropria-se dela. A Hora de
Jesus – que chegou – descreve-se através
dos acontecimentos como hora de
sofrimento e de glória: o ódio do mundo,
condena Jesus, à morte de cruz, mas do
alto da cruz, Deus manifesta o seu amor
infinito. Nesta esplêndida revelação,
nesta total entrega divina, consiste a
glória. A cruz é glória porque é vitória
do amor levado ao extremo. É prova
máxima do amor de Deus.
A vida de Jesus não foi só ensinar o
bem, não foi só fazer o bem; foi
entregar a vida e sofrer como aqueles
que Ele quer salvar. Não basta ensinar o
bem, não basta fazer o bem de vez em
quando; só basta entregar a vida, sofrer
com quem sofre.
A narração da paixão começa e termina
num horto – lembrança do Éden – querendo
indicar que Cristo assumiu e redimiu o
pecado do primeiro Adão e o homem
recobra agora a sua beleza original. A
narração ao mostrar o sofrimento de
Jesus, ressalta que Jesus é o Senhor,
que Ele é Deus: SOU EU e que a história
não lhe foge da mão.
O termo rei aparece doze vezes no relato
da paixão (dezasseis em todo o quarto
evangelho). No momento em que Jesus é
julgado, cumpre-se antes demais, o juízo
sobre o mundo.
Quando é elevado na cruz, cumpre-se a
Escritura (19, 28. 36-37). Precisamente
no momento da morte nasce a Igreja onde
Maria é Mãe (19, 26-27: Eis o teu filho,
eis a tua mãe. O novo povo regenerado no
Baptismo e alimentado com a Eucaristia
celebrará ao longo dos séculos a Páscoa
do verdadeiro Cordeiro (19, 33; cf. Ex
12, 16), até que se cumpra no reino de
Deus (Lc 22, 16).
A Palavra converte-se em oração
Senhor Jesus,
que levantado da terra atrais todas as
criaturas para Ti,
tem piedade de nós.
Perdoa a nossa incapacidade para
compreender
que a tua impotência na cruz
é a maior revelação do amor humilde
de um Deus que se faz o nosso próximo
até partilhar a solidão de toda a morte.
Cura-nos pelo mistério da tua
debilidade,
do nosso orgulho desmesurado,
a fim de que, morrendo para nós mesmos,
vivamos entre nós em comunhão fraterna,
levando uns as cargas dos outros
para podermos apresentar-nos juntos, ao
teu Pai e nosso Pai.
Início
|
|
SÁBADO SANTO |
|
Vigília Pascal
A Liturgia
da Vigília Pascal tem as seguintes
partes:
1 –
Liturgia da Luz: Cristo ressuscitado,
luz do mundo que não se apaga mais.
2 –
Liturgia da Palavra: História da
salvação – da criação à ressurreição
“nova criação”
3 –
Liturgia Baptismal: nossa entrada na
ressurreição com Jesus
4 –
Liturgia Eucarística: Vivência e
celebração permanente da morte e
ressurreição de Cristo e da nossa vida
cristã.
A celebração da Morte e Ressurreição do
Senhor tem o seu ponto culminante na
Vigília Pascal, coração da liturgia
cristã, centro do ano litúrgico, a mais
antiga, a mais sagrada, a mais rica de
todas as celebrações, no dizer de S.
Agostinho a “mãe de todas as vigílias”.
O mistério
pascal não é estático, mas dinâmico. Não
é um estado de Cristo, mas uma
“passagem”, um movimento, em que é
envolvido todo o povo de Deus. A espera
dos cristãos nesta noite santa não se
reduz à comemoração de um Facto
objectivo e real. É a espera de Alguém.
É a espera do Senhor que volta para nos
levar a fazermos a sua “passagem”, a sua
Páscoa com Ele.
Ao
celebrarem a primeira manhã de Páscoa,
os cristãos esperam com alegria a sua
própria manhã de Páscoa.
Ser
baptizado é, na verdade, morrer com
Cristo para ressuscitar com Ele. Por
isso, a Igreja, desde, os tempos mais
antigos, pensou que o melhor meio de
celebrar o mistério pascal era baptizar
nesta noite, os seus catecúmenos e levar
os baptizados a fazer memória viva dos
compromissos do seu dia de Baptismo.
(O Missal Romano tem nove leituras para
a Vigília Pascal: sete do Antigo
Testamento e duas do Novo Testamento.
Mantendo a visão da história da
salvação, como a Liturgia o exige,
apresentamos aqui três leituras do
Antigo Testamento e duas do Novo
Testamento).
A Palavra
de hoje:
1 - Génesis
1, 1 – 2,2
2 - Êxodo 14, 15 – 15, 1
3 - Ezequiel 36, 16-17 a.18-28
4 - Romanos 6, 3-11
5 - Mateus 28, 1-10
Meditação
Depois da celebração da Luz,
simbolizando a Ressurreição, a Liturgia
volta atrás apagando as luzes para ver o
caminho da História que conduziu até à
Ressurreição. No entanto, o Círio
pascal, que simboliza Cristo
ressuscitado, permanece aceso. É nele
que se acende a vela durante o Baptismo.
Cristo é a luz do mundo e o cristão, no
Baptismo, recebe a missão de ser
testemunha da luz.
A primeira
leitura relata-nos a Criação. Assim
começa a Sagrada Escritura: “No
princípio Deus criou…”. É a Palavra de
Deus que cria e ordena o Universo. A
coroa da criação é o homem e a mulher,
criados “à sua imagem e semelhança”
v.26: Com o ser humano, a criação fica
completa e a partir daí, em vez de bom o
texto diz: Deus viu tudo o que tinha
feito: e era muito bom (v.31).
A nossa
primeira vocação é à vida em comunhão
com Deus, com os nossos semelhantes, e a
harmonia com a natureza.
Como vimos
no primeiro domingo da Quaresma, (1ª
leitura), os males que vemos no mundo
(fratricídio, desordem moral, idolatria,
injustiça, tráfico humano e toda a
opressão e escravatura) não vêm de Deus;
vêm da desobediência do ser humano à sua
Palavra e da influência externa
negativa.
Na segunda
leitura, Deus escuta o grito do povo
oprimido e liberta-o da escravidão. É o
Êxodo.
Na experiência do Êxodo, após a passagem
do Mar Vermelho, o povo exclama: “foi o
Senhor que nos salvou” (Ex 14,31). E
cantam o hino da vitória (Ex 15, 1-21).
As águas do
Mar Vermelho, uma ameaça de morte,
convertem-se em fonte de salvação; (por
isso o Cristianismo viu nessa passagem
do Mar, um símbolo das águas baptismais.
Cf. Oração da Bênção da água na Vigília
Pascal).
A passagem do mar aparece aos olhos do
povo liberto, como uma impressionante
revelação de Deus, que actua na
história. Este texto termina com três
verbos fundamentais: o povo viu, temeu e
acreditou. Estes verbos aparecem nas
narrações evangélicas da ressurreição de
Cristo. As maravilhas realizadas pelo
Senhor reforçam a fé dos libertos do
Egipto que podem retomar o caminho e
exaltar solenemente a experiência
vivida, como aparece no cântico da
vitória (Ex 15, 1-21).
Sabemos
como o povo, pouco depois, começou a
murmurar contra Deus e contra Moisés e
caiu na idolatria e na prática das
injustiças, negando a aliança com Deus e
uns com os outros.
Mas Deus não abandona o seu povo.
Repetidas vezes contrai aliança com os
homens, e pelos Profetas, os forma na
esperança da salvação (cf. IV Oração
Eucarística). Vai nascendo no coração do
povo pobre e humilde, a esperança do
Messias, e paralelamente se anuncia que
Deus vai dar um coração novo, um
espírito novo, como lemos na leitura de
Ezequiel. “Derramarei sobre vós uma água
pura e sereis purificados; …Dentro de
vós porei o meu espírito, fazendo com
que sigais as minhas leis e obedeçais e
pratiqueis os meus preceitos.
Ao longo da
história da salvação foram aparecendo
luzes de esperança, resistências ao mal,
e desejos de vida. A Ressurreição de
Cristo surge como a grande Luz, que
ilumina toda a história para trás e para
a frente. Nela ganham sentido todas as
resistências ao mal e desejos de vida da
humanidade. A pedra da morte que pesava
sobre a humanidade foi removida! (Marcos
16,3)
A morte e a
ressurreição de Cristo é a resposta de
Deus ao grito de todos os oprimidos da
humanidade, também ao de Cristo na cruz.
É a nova criação; é vida eterna.
O
verdadeiro e definitivo Êxodo é a
passagem da morte à vida. Todo o ser
deseja viver para sempre; o maior
obstáculo na frente é a morte. A criação
existe, ninguém a pode negar, ninguém
assistiu ao começo, mas está aí, como
uma evidência. A ressurreição é uma nova
criação, que já começou; também já está
aí. O que estamos a ver no mundo que é
realidade da nova criação e que não
podemos negar?
Os primeiros cristãos, quando fizeram a
experiência que Jesus está vivo
exclamam: é o Senhor: (Vi o Senhor! - Jo
20,18; Vimos o Senhor - Jo 20, 25; É o
Senhor - Jo 21,7; o Senhor ressuscitou
Lc 24, 34).
O povo de Deus, quando se viu libertado
da escravidão no Egipto, tendo passado a
pé enxuto, o Mar vermelho: exclamou: foi
o Senhor que nos libertou.
Reparar na
relação e semelhança da experiência de
fé dos dois Êxodos: saída da escravidão
no Egipto e saída da morte.”É o Senhor!”
A vigília
pascal é o momento oportuno e próprio
para o Baptismo; é por isso que os
catecúmenos são baptizados nesta noite e
os baptizados renovam o seu Baptismo.
A
ressurreição de Jesus não é um estado
estático mas Movimento de vida eterna,
nova criação acessível a todos em Cristo
ressuscitado. “Pelo Baptismo fomos,
pois, sepultados com Ele na morte, para
que, tal como Cristo foi ressuscitado de
entre os mortos pela glória do Pai,
também nós caminhemos numa vida nova” (Rom
6, 4).
Ser cristão
é ter esta alegria e certeza da vida
eterna, mas também é uma missão: ser
testemunha da ressurreição de Jesus (Act
1, 8).
A semente de eternidade que o Baptismo
lança em nós, deve guardar-se e crescer,
para que a graça de uma vida nova se
desenvolva em plenitude.
Jesus não
só ressuscitou, mas tornou-se visível (Act
10, 40; Apoc 1, 1). O Jesus ressuscitado
deve ser visibilizado pelas comunidades
cristãs (cf. Apoc 2 – 3). Isto acontece
quando tornamos visível o sofrimento
inocente invisível; por outras palavras,
o Ressuscitado é o Crucificado.
Ao mostrar
pela própria vida o sofrimento dos
injustamente oprimidos, como o Servo de
Javé (cf. Isaías) estamos a realizar a
nossa missão de testemunhas da
ressurreição, mostrando os
“crucificados” de hoje.
Para os
neófitos (recém-baptizados) o tempo
pascal é o tempo da mistagogia. Eles são
recebidos e acarinhados como novos
cristãs pela comunidade cristã, vão
participar em toda a vida da Igreja,
acompanhados pelos padrinhos e
catequistas; devem ter um lugar
reservado no meio dos fiéis e a liturgia
deve referir-se a eles directamente. No
final do tempo da mistagogia deve-se
fazer uma celebração e uma avaliação de
como foi a sua integração plena e feliz
na comunidade cristã.
Perguntas para reflexão
- Sabes a data do teu Baptismo
- Saúdas e
recebes com carinho os novos baptizados?
- Se a
Vigília Pascal é o máximo da nossa fé e
de toda a Liturgia cristã, por quê a
maioria das nossas paróquias não a
celebra?
- Ser
cristão é ser testemunha da ressurreição
de Cristo. Como é que tu O testemunhas e
tornas visível?
- A
ressurreição é uma nova criação. O que
estamos a ver no mundo que é realidade
desta nova criação?
A Palavra
converte-se em oração
Concede-nos, Senhor,
o olhar límpido da fé,
e acende em nosso coração um amor
ardente por Ti,
a fim de que possamos entrever
em cada acontecimento a luz do teu
mistério pascal,
a ocasião de graça em que Tu nos esperas
para um encontro sempre renovado,
para uma missão mais eficaz com os
irmãos,
para uma alegria grande e sem fim.
Início |
NTA-FEIRA SANTA |