"Dá-me um pano branco,"
pediu Ele, com voz rouca.
"O linho que usei ontem já está rígido,
negro pelo sangue coagulado
e pela dor tão pesada."
Sobre o chão frio do sepulcro,
o pranto daquela mulher rompeu-se.
"Quão branco, meu Senhor?" perguntou ela, entre soluços.
"Tão branco como a espuma que se quebra nas rochas?
Tão branco como as pétalas de um lírio?
Tão branco como o fulgor de uma estrela?
Ou o branco da medula no âmago dos ossos?
Ou a transparência do brilho dos olhos?"
"Nenhum desses," sussurrou Ele, suavemente.
"Basta que seja tão branco como o teu amor
ao abraçares o Meu rosto desfigurado,
quando o mundo já Me julgava acabado."
No seu coração, a mulher pensou:
"Tu és como uma luz de um céu estranho,
que caiu sobre a terra sombria
apenas para encontrar
alguém como eu."
- P. Fidelis Fallo, SVD