É sexta-feira!
Tomaram a decisão
que o inocente morreria.
E sexta, não é um dia.
É um mundo de alma fria
de Sinédrios replicados
e Pilatos copiados.
E das mãos de quem comanda
escorrerá sempre escarlate
a água, numa lavanda.
É sábado!
Apesar do dia de ontem
não se faz a contrição.
Louva-se a destruição,
a morte que varre o chão,
em cada bomba lançada
em cada terra esventrada.
E há louros reclamados
Como se o amor florisse
Destes ódios semeados
É domingo!
E o que podia ser Páscoa
É primavera adiada.
Andam de gadanha içada
os donos da paz negada.
Que o curvado se levante
contra a turba obcecada
Varra do templo a chicote
os vendilhões, os aréus
que mercadejam glórias
matando em nome de deus
É Domingo de Páscoa!
Cristo Ressuscitou!
Aleluia!
Diz a manhã cantadeira.
A Paz Pascal
É oferecida à terra inteira.
Mas o mundo,
é sexta-feira.
P. José Maria Cardoso, SVD